quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

E a Santa Inquisição de volta, não ?


O vigário judicial da Diocese de Portalegre/Castelo Branco e especialista em direito canónico, Tarcísio Fernandes Alves, autor de um artigo polémico publicado sobre o aborto no boletim da sua paróquia em Castelo de Vide, afirma que :

O aborto é punido com a excomunhão. Pena que não pode ser absolvida sem a licença do bispo ou do Papa
Mas nem só as mulheres são alvo desta pena. Segundo o pároco, “os que colaboram, aconselham, provocam ou realizam um aborto ficam também automaticamente excomungados”.
O especialista em Direito Canónico diz que quem for atingido por esta pena não pode receber os sacramentos nem participar na celebração eucarística.
Este membro do Cabido da Sé de Portalegre, e, segundo os párocos deste distrito, uma das melhores vozes do Canto Gregoriano, acrescenta ainda que os cristãos abstencionistas não podem participar na missa, apenas assistir.

Hó Senhor Padre Vigário, fico na dúvida : E os não cristãos abstencionistas involuntários que se encontrem num País estrangeiro membro da União Europeia em comissão de serviço. O que é que lhes acontece ?

3 comentários:

Anónimo disse...

Trata-se dum comentário, no mínimo infeliz, por parte de um padre da Igreja Católica, e que estranhamente não foi contestado públicamente pela respectiva hierarquia", pelo que pode ser entendido como sendo a “doutrina oficial da Igreja Portuguesa” o que não corresponde à verdade.

É claro que a História de Portugal, está recheada de situações rocambolescas envolvendo Ministros da Igreja (como a do Padre Costa, de Trancoso que viveu no Sec.XV e é considerado o maior progenitor português "com 299 filhos Ao todo contaram-se-lhe 299 filhos, concebidos em 53 mulheres, sendo 214 raparigas e 85 rapazes. A sua capacidade reprodutora, assente numa libertinagem sem fim e pelos vistos no precioso néctar, o vinho, chegou a ser condenada pelo tribunal da época. Mas a "proeza" ainda hoje dá azo a comentários jocosos por parte dos habitantes de Trancoso.

O Costa foi mesmo condenado, naturalmente com uma sentença "medieval". Seria arrastado pelas ruas públicas, preso aos rabos dos cavalos. Depois deveria o seu corpo ser esquartejado e deposto aos quartos, sendo que a cabeça e as mãos seriam depositadas em diferentes distritos. Segundo Manuel Costa, da área de comunicação da Câmara de Trancoso, a cópia da sentença, proferida em 1487, está na Torre do Tombo. Mas o Padre Francisco Costa chegou a confessar que manteve relações sexuais com 29 afilhadas, de quem teve 97 filhas e 37 filhos. Teve aventuras com cinco irmãs de onde vieram mais 18 filhas. Ainda se somaram nove comadres, de quem foi progenitor de mais 38 filhos e 18 filhas; mais sete amas que, do padre Costa pariram 29 filhos e 5 filhas; duas escravas que deram à luz mais 28 crianças. Com uma tia, Ana da Cunha, fez-lhe três filhas e até com a própria mãe concebeu dois rebentos.

Porém e sobre a sua condenação, o rei D. João II decidiu dar-lhe um indulto e perdoar-lhe, com o pretexto de que, à época, a região interior do país tinha poucos habitantes tendo pois o padre Costa contribuído de uma forma invulgar para o povoamento da Beira Alta. Foi em liberdade para casa a 17 de Março desse mesmo ano de 1487" (www.trancoso.pt) ) que tenho a certeza se estava "nas tintas" e de certeza nunca se preocupou nem com as mulheres com quem se envolveu nem com o destino das crianças geradas nos seus (delas) ventres.

Julgo que os cristãos bem informados e bem intencionados, deverão, perante afirmações desta natureza, questionar que direito assiste a um mero sacerdote, preconizar com tanta ligeireza, a excomunhão duma pessoa que, por ser livre em consciência, defende o direito que as mulheres deverão ter de decidir pelo aborto ?

Por um lado, a concretizar-se o desejo do senhor padre, podia acontecer que, no limite, eu que sou homem, (logo se torna evidente que não vou nunca abortar) mas defendo que as mulheres deverão ter o direito de escolher, posso vir a ser excomungado.

Por outro lado, não é raro ver-se padres da Igreja Católica ao lado de Ditadores sanguinários da pior espécie, que, por vergonha me abstenho de nomear, ou ainda a prestarem os últimos sacramentos a assassinos, condenados à morte, porque deliberadamente mataram. Uns e outros “Serial Killers” ou Assassinos em Série!!!

Então porque me excomungam a mim, cujo único crime que cometi foi de ter a minha própria opinião, seguindo a minha consciência de quem sou o único proprietário ?

VB

Anónimo disse...

Permite-me uma correcção.
De acordo com o Jornal Fonte Nova, que publicou a noticia, trata-se do Padre de Castelo de Vide, ou seja, nem sequer milita na 1ª Divisão:
"Citando o Código Canónico, o cónego Tarcísio Fernandes Alves, pároco há cinco anos em Castelo de Vide, afirma que as pessoas que votarem "Sim" no referendo de 11 de Fevereiro serão alvo de "excomunhão automática, a mais pesada das censuras eclesiásticas", sendo que os cristãos que se abstiverem de votar "cometem um pecado mortal gravíssimo que os irá impedir de participar na missa".

(L)

Anónimo disse...

D.Jose Policarpo, durante a entrevista de ontem à noite no Canal Público, sobre a despenalização do aborto, afirmou que as missas não são lugares de campanha e que a Igreja tem feito algumas afirmações muito infelizes.
Será que ele esteve aqui no teu blog, Luis ?
É que isso já foi dito ao Jornal Fonte Nova por um alentejano de Vale do Peso e transcrito para aqui
(L)